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Quinta-feira, 28 de Setembro de 2006

O Anjo

 

Jaime era um homem exemplar. Trabalhador, amigo, sempre pronto a ajudar, simpático para toda a gente...Mas sempre triste. Há uns tempos atrás havia sido divertido. Mas algo de muito triste aconteceu. Perdera a mulher da sua vida. A morte levara-a tão rápido que nem tempo tivera de a fazer feliz. Era ainda uma jovem, plena na sua beleza e graciosidade. Recentemente formada, quebraram os obstáculos que os separavam e iniciaram uma vida conjunta. Planeava um emprego, ele pensava em filhos; tudo numa perfeição idealizado a dois...quando um acidente demove todas as ideias que haviam planeado.

Jaime nunca mais foi o mesmo. refugiava-se no trabalho, nos primeiros anos nem saía com os amigos, todas as noites sonhava com ela...Recordava o ar de menina, a beleza que ainda possuía mesmo depois de morta. Relembrava assustadoramente o cândido sorriso que lhe pairava nos lábios quando a contemplava no caixão. Como era linda, uma imagem de pura inocência...

Ao longo dos tempos Jaime foi melhorando a sua condição. Voltara a sair com os amigos, distrair-se, mas o seu sorriso já não possuía a mesma alegria jovial de antigamente. Belo e elegante, muitas mulheres o cobiçavam, mas ele mantinha-se preso à memória daquela que lhe roubara o coração para sempre.

Certa noite, algo de estranho aconteceu. Jaime dormia quando, de súbito, uma luz, branca e incandescente, surgiu no quarto. Ele abria e fechava os olhos, incomodado com a forte luz que aparecera sem saber como.

Ficou sentado na cama, sem saber que lhe fazer, quando ouviu uma voz, calma, límpida e bela dirigir-se-lhe:

- Jaime...!

Ele sentiu um misto de medo e conforto por aquela voz feminina que vinha da luz.

- Quem...quem és tu? - a voz custava a sair, o som preso à garganta...

- Não temas...-  Aquela voz...Jaime conhecia aquela doce voz que vinha aos seus ouvidos e que sentia já não ouvir há muito.

- Já não falta muito, Jaime...

- Mas...quem és tu? Eu conheço-te?

- Sim, conheces. - A luz tornou-se menos viva, menos luminosa e Jaime viu uma sombra. - Tenho estado a teu lado todo este tempo, Jaime; a proteger-te, a velar por ti, mas é quase chegada a hora. - A sombra ia-se aproximando até se tornar visível. Jaime nem quis acreditar quando viu Maria.

Maria, a sua amada, a sua menina, a querida do seu coração, que a vida tragara e a morte levara para sempre.

- Maria! Mas...isto é um sonho!

- Não, Jaime, não é um sonho...

- Não, não pode ser! Eu estou a sonhar!

Fechou os olhos, abriu-os de novo, e Maria continuava lá, mais bela que nunca, vestida de branco, os olhos assustadoramente luminosos, o cabelo brilhante como oiro, o seu ar etereo envolvido pela luz branca que inicialmente vira. 

- Não sou um sonho, nunca o fui, Jaime!

- Mas...tu já não estás viva!

- Estou, Jaime, o meu corpo morreu, mas a minha alma ganhou uma nova vida e aqui estou por ti, para te salvar.

- Mas porquê, meu amor? Que me vai acontecer?

Ela sorriu.

- Nada te acontecerá até chegar a tua hora. Vim para te salvar após a tua morte. Mas para isso terás uma missão. Se a cumprires correctamente terás garantida a vida eterna.

Os olhos dele brilharam.

- Irei para ao pé de ti?

Ela voltou a exibir o seu terno sorriso.

- Sim, virás ter comigo. Nada mais posso fazer por ti. Proteger-te-ei até ao fim dos teus dias, mas a salvação da tua alma só de ti dependerá.

- Que tenho eu de fazer?

- Revelar a toda a gente o que aconteceu esta noite.

- Mas como?! Ninguém vai acreditar!

- Não te preocupes. Não te esqueças, estarei sempre contigo. Amo-te.

Desapareceu. O quarto voltou à escuridão. No silêncio apenas se ouviu um murmúrio:

- Maria!...

De manhã Jaime não acordou. Não acordou porque não mais conseguira adormecer desde que Maria desaparecera do quarto.

Não conseguia abstrair-se do que tinha acontecido. Ficou quedo, olhos paralisados, deitado de braços estendidos, recordando-a, ouvindo de novo as suas palavras, a sua voz. Os olhos dela, mais belos do que já tinham sido em vida, incadeavam, hipnotizavam qualquer olhar.

 

As visões sucederam-se, quase todas as noites Jaime recebia a visita do seu anjo da guarda. E quando ela não aparecia ficava triste toda a noite, louco de saudade. Esperava, sempre, ansioso, pela sua amada e ficava embalado pelo seuencanto quando ela vinha, ouvindo-a, contemplando-a, como já não fazia há tanto tempo.

Quando tentou por em acção o que Maria lhe pediraninguém acreditou, toda a gente achava que estava louco.

- Jaime, acredita! Essas visões são sonhos que tu tens, imaginações causadas pelas saudades que tens da Maria.

- Não, António! Ao menos tu, que acredites em mim! Eu tenho-a visto, todas as noites!

- Jaime, esquece! A Maria morreu, compreendes?! Está morta! Desculpa falar assim, mas tens de começar a ver a realidade.

Não sabia mais que fazer, mas tinha de tentar por tudo levar aquela missão até ao fim para merecer o Céu e ficar para sempre junto da sua amada.

 

Jaime já dormia quando Maria apareceu naquela noite.

- Jaime! - A luz acordou-o. Uma leve brisa arrepiou-lhe o corpo. - É quase chegada a hora.

- Meu anjo!

- A tua hora está a chegar, meu amor. Em breve estaremos juntos para sempre.

- Desculpa... - Ele tinha uma expressão triste, desapontado consigo mesmo.

- Fizeste o que esperava de ti. Tentaste, esforçaste-te...mas não te preocupes! Estás protegido, tens o Céu garantido.

- Mas, Maria...

- Deus não está desiludido contigo, mas com as pessoas que não conseguem acreditar no que tu acreditas.

- Mas elas nunca viram!

- Não te preocupes. Amanhã por esta hora estaremos juntos, não aqui, mas no Paraíso.

No dia seguinte Jaime revelou ao seu amigo o que Maria previra.

- Morrerei hoje. - O outro olhou-o, abismado. - Amanhã por esta hora já aqui não estarei.

- Estás a ir longe demais com esta história.

- Gostava que acreditasses antes disso acontecer mas sei que depois disso acreditarás.

Depois do emprego Jaime seguiu com o seu carro pela estrada habitual que o levava a casa. No mesmo local onde Maria morrera foram encontrados dois carros acidentados. António foi rapidamente para o local. O carro de Jaime estava praticamente desfeito na parte frontal. O corpo estava lá, morto; a alma, essa, só Deus saberia.

sinto-me:
livro: (autoria propria)
publicado por melinha às 09:30
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7 comentários:
De Vera a 28 de Setembro de 2006 às 11:55
Que lindo minha linda!!! Adoro estas histórias, e esta está lindíssima!
Beijo grande!
De melinha a 28 de Setembro de 2006 às 14:56
e ainda bem q gostaste
bjinho grande
De Anónimo a 28 de Setembro de 2006 às 18:55
Moral da história: a fé é necessária e eu sei q tu tens e muita.
beijinhos
De melinha a 29 de Setembro de 2006 às 08:52
e nao perderei nunka a minha incansavel fe nos anjos!! espero k tenhas gostado n so da historia cm de td o blog continua a passar por ca... e tira o anonimo muda pra algo mais vivo!!
~bjinhos grandes!
De oteumelhoramigo a 29 de Setembro de 2006 às 15:00
Está melhor assim?
De melinha a 29 de Setembro de 2006 às 17:16
mto melhor assim ja gosto mais!!
De ninho na tv a 28 de Junho de 2015 às 20:50
Pais, educadores e amigos da infância, não deixem de assistir!! Isabel Cortesi nos fala da importância dos "Contos de Fadas" para nossas crianças e seus benefícios! https://www.youtube.com/watch?v=gKs0s7wN7jA

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